Arte e cultura de Cachoeiro; Crônicas, poesias, artigos. Literatura e Cultura local.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Águas do Itapemirim
Desperta, tu que dormes
à margem do Itapemirim!
Eis que águas adormecidas
oferecem-lhe perigo.
O dia surge nublado e,
no coração da cidade,
acelera-se o ritmo
dos habitantes,
enquanto invadem
apressadamente ruas
praças
jardins
avenidas
lojas e casas
as águas do Itapemirim...
As garças não alçaram voo ao amanhecer
solidárias aos moradores
ora sobrevoam a cidade
ora retornam aos seus ninhos.
Se da janela do apartamento
contempla o prédio ilhado
a criança
rolinhas alimentam-se nos beirais...
A Vinte e Cinco de Março,
a Jeronimo Monteiro
Avenida Beira Rio..
população ribeirinha dos bairros
Coronel Borges
Baiminas
não se tem como fugir da força das águas
que abraça o leito
invade espaços sem pedir licença
ou desculpas
apenas passa
deixando um rastro de destruição.
De seus berços, contemplam os mortos...
Quase a tocar os céus,
o Itabira..
nas ruas ,calçadas e janelas
o povo:
sem choro
sem lamúria
apenas olhares e corações
silenciosos.
Assim como o Itabira,
contemplam a cheia do Itapemirim...
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Fim de tarde...
Em meio aos transeuntes, aos que descansam os pés, talvez da longa caminhada pelas ruas da cidade, aos que procuram abrigo em meio à verticalidade, descanso aos olhos, procuro acomodar as lentes da câmera à imagem que se apresenta.
São poucos e, no entanto, oferecem aos olhos e alma a certeza de que o espaço não é vão. Talvez à procura de um ambiente que os acolham, assim como os deslocados homens à metrópole que lhe compacta os sonhos, sente-se como parte de um conjunto habitável por todos, já não mais voa, apenas caminha ora pela grama , ora pelo calçadão.
Centralizada na lente da câmera e descentralizada de seu habitat, ave que se abriga no silêncio dos que por ali se fazem presentes, que, assim como os presentes, passa a fazer parte do conjunto que se estabelece no centro da cidade.
Assim como os homens que arregaçaram as mangas e lutam por dignidade e cidadania, avança passo a passo entre os transeuntes, procura abrigo do calor dos prédios aquecidos, esconde os olhos ao brilho produzido pelo reflexo dos veículos, alimenta-se das sobras de alimentos. Sacia a sede nas poças que se formam próxima ao chafariz.
Não mais teme os que dela se aproxima. Talvez, assim como os contemporâneos homens, sinta-se parte integrante da sociedade, tenha se desintegrado de si próprio para adequar-se a realidade moderna. O mundo real colado a um particular olhar. A frieza da máquina e o congelamento das idéias, num pedaço de papel.
A reflexão de um breve momento que se arrasta metrópoles afora.
São poucos e, no entanto, oferecem aos olhos e alma a certeza de que o espaço não é vão. Talvez à procura de um ambiente que os acolham, assim como os deslocados homens à metrópole que lhe compacta os sonhos, sente-se como parte de um conjunto habitável por todos, já não mais voa, apenas caminha ora pela grama , ora pelo calçadão.
Centralizada na lente da câmera e descentralizada de seu habitat, ave que se abriga no silêncio dos que por ali se fazem presentes, que, assim como os presentes, passa a fazer parte do conjunto que se estabelece no centro da cidade.
Assim como os homens que arregaçaram as mangas e lutam por dignidade e cidadania, avança passo a passo entre os transeuntes, procura abrigo do calor dos prédios aquecidos, esconde os olhos ao brilho produzido pelo reflexo dos veículos, alimenta-se das sobras de alimentos. Sacia a sede nas poças que se formam próxima ao chafariz.
Não mais teme os que dela se aproxima. Talvez, assim como os contemporâneos homens, sinta-se parte integrante da sociedade, tenha se desintegrado de si próprio para adequar-se a realidade moderna. O mundo real colado a um particular olhar. A frieza da máquina e o congelamento das idéias, num pedaço de papel.
A reflexão de um breve momento que se arrasta metrópoles afora.
tarde de domingo
Em meio aos transeuntes, aos que descansam os pés, talvez da longa caminhada pelas ruas da cidade, aos que procuram abrigo em meio à verticalidade, descanso aos olhos, procuro acomodar as lentes da câmera à imagem que se apresenta.
São poucos e, no entanto, oferecem aos olhos e alma a certeza de que o espaço não é vão. Talvez à procura de um ambiente que os acolham, assim como os deslocados homens à metrópole que lhe compacta os sonhos, sente-se como parte de um conjunto habitável por todos, já não mais voa, apenas caminha ora pela grama , ora pelo calçadão.
Centralizada na lente da câmera e descentralizada de seu habitat, ave que se abriga no silêncio dos que por ali se fazem presentes, que, assim como os presentes, passa a fazer parte do conjunto que se estabelece no centro da cidade.
Assim como os homens que arregaçaram as mangas e lutam por dignidade e cidadania, avança passo a passo entre os transeuntes, procura abrigo do calor dos prédios aquecidos, esconde os olhos ao brilho produzido pelo reflexo dos veículos, alimenta-se das sobras de alimentos. mata sua sede nas poças que se formam próxima ao chafariz.
Não mais teme os que dela se aproxima. Talvez, assim como os contemporâneos homens sinta-se parte integrante da sociedade, tenha se desintegrado de si próprio para adequar-se a realidade moderna. O mundo real colado a um particular olhar. A frieza da máquina e o congelamento das idéias num pedaço de papel. A reflexão de um breve momento que se arrasta metrópoles afora.
pequenas coisas...
As coisas são
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêem
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão
(Oswald de Andrade –
Cânticos dos Cãnticos para flauta e violão)
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêem
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão
(Oswald de Andrade –
Cânticos dos Cãnticos para flauta e violão)
domingo, 21 de novembro de 2010
SOB AS LENTES DE UM VISOR
Ao entrar na sala, deparei-me com três copos de boca virada para baixo, sobre a mesa , sequer uma toalha. Além dos elementos de sempre, armários, mesa, cadeiras e computador, apenas minha presença e os três copos. Fechei a porta e, frente a frente, pusemo-nos a nos contemplar.
Em relação a eles, era força maior, então resolvi sentar e ainda de frente, tentei imaginar o que faziam ali, naquela sala e mesa vazia de outros objetos. Imaginei-me com uma câmera em mãos. Na impossibilidade, pequei um pedaço de papelão, que servia de descanso para o mouse e fiz um pequeno visor. A partir da imaginação comecei a focar diferentes possibilidades de fotografá-los.
Lembre-me das aulas de desenho. Ainda com visor em mãos, fui até o armário, que fica em um dos cantos da sala e comecei a desenhar os copos, a partir do campo de visão permitido pelo visor. Primeiro de frente; depois lateral e finalmente, esquina.
Uma tarefa não muito fácil. Se frente a frente, sem o visor , eram apenas três copos sobre a mesa, dentro do campo do visor, pareciam maiores. Como retratá-los dentre de tão pouco espaço? Ao observar o desenho, vi que os copos pareciam ter tamanhos quase idênticos aos do modelo. Que embora sobre a mesa os espaços fosse idênticos, no desenho entre um e outro, percebia espaço maior. Não era uma réplica perfeita.
Ao tentar representá-los em fila indiana, o desafio foi ainda maior. Se o espaço do visor era limitado, no desenho torna-se bastante amplo. No campo do visor , no entanto, a imagem torna-se perfeita. No desenho, o fundo/espaço em branco ainda me incomoda. Em relação ao tamanho/forma, observo a relação de tamanho em referência com objeto em estudo.
Tentei um ângulo meio de esquina. Embora estáticos sobre a mesa, apenas eu a movimentar-me de cá para lá, percebo que adquirem vida. Quase que modelos para meu pequeno e simplório visor. Capto melhores ângulos. Um sopro e eles estariam debaixo da mesa e eu sem meus modelos fixos... Fico a imaginar a capacidade de focar modelos vivos e os móveis, estes ainda mais difíceis, dado a capacidade de domínio sobre os fixos.
Imagino se alguém abrisse a porte e se deparasse comigo e meus aparatos e ainda tivesse que apresentar meus modelos fixos..mas é uma universidade, aqui é comum a quase todos o campo de observação, experimentos bastando apenas justificar o porquê de tantos imaginários flash e focos.
Uma vez desviado o foco de atenção, lembro-me dos estudos de Curtis, 1978:11, quando ao parafrasear Sartre afirmou que “Toda imagem sempre implica a uma física”. Se tivesse uma câmera de vídeo em mãos, os copos certamente adquiriram vida, de bi para tridimensional, mesmo silenciosos, quase com congelados no tempo e espaço.
Se considerados apenas o contexto,era apenas três copos descartáveis sobre uma mesa de madeira, num ambiente fechado e com iluminação artificial. Porém, visto sob o enquadramento de um visor tornam-se elementos físicos capazes de serem captados e recriados fora de seu local de origem, adquirindo forma e representatividade dentro de um contexto então, ficcional.
Percebo que executo um ritual pré-fotográfico ao desenhá-los dentro de seu tempo espaço: três copos de boca para baixo para, dentro porém do enquadramento das lentes imaginárias de um visor. Quatro linhas e três elementos versus uma folha e muitos espaços em branco.
Penso que o ato de fotografar não compromete o desenhar, mas percebo que este permite complementações, exige técnicas para que os elementos não se tornem soltos nos espaços, enquanto que a fotografia possui um campo mais amplo de visão, valendo-se ainda , talvez, do que tenha sido meu mote inicial: a subjetividade do olhar.
Em relação a eles, era força maior, então resolvi sentar e ainda de frente, tentei imaginar o que faziam ali, naquela sala e mesa vazia de outros objetos. Imaginei-me com uma câmera em mãos. Na impossibilidade, pequei um pedaço de papelão, que servia de descanso para o mouse e fiz um pequeno visor. A partir da imaginação comecei a focar diferentes possibilidades de fotografá-los.
Lembre-me das aulas de desenho. Ainda com visor em mãos, fui até o armário, que fica em um dos cantos da sala e comecei a desenhar os copos, a partir do campo de visão permitido pelo visor. Primeiro de frente; depois lateral e finalmente, esquina.
Uma tarefa não muito fácil. Se frente a frente, sem o visor , eram apenas três copos sobre a mesa, dentro do campo do visor, pareciam maiores. Como retratá-los dentre de tão pouco espaço? Ao observar o desenho, vi que os copos pareciam ter tamanhos quase idênticos aos do modelo. Que embora sobre a mesa os espaços fosse idênticos, no desenho entre um e outro, percebia espaço maior. Não era uma réplica perfeita.
Ao tentar representá-los em fila indiana, o desafio foi ainda maior. Se o espaço do visor era limitado, no desenho torna-se bastante amplo. No campo do visor , no entanto, a imagem torna-se perfeita. No desenho, o fundo/espaço em branco ainda me incomoda. Em relação ao tamanho/forma, observo a relação de tamanho em referência com objeto em estudo.
Tentei um ângulo meio de esquina. Embora estáticos sobre a mesa, apenas eu a movimentar-me de cá para lá, percebo que adquirem vida. Quase que modelos para meu pequeno e simplório visor. Capto melhores ângulos. Um sopro e eles estariam debaixo da mesa e eu sem meus modelos fixos... Fico a imaginar a capacidade de focar modelos vivos e os móveis, estes ainda mais difíceis, dado a capacidade de domínio sobre os fixos.
Imagino se alguém abrisse a porte e se deparasse comigo e meus aparatos e ainda tivesse que apresentar meus modelos fixos..mas é uma universidade, aqui é comum a quase todos o campo de observação, experimentos bastando apenas justificar o porquê de tantos imaginários flash e focos.
Uma vez desviado o foco de atenção, lembro-me dos estudos de Curtis, 1978:11, quando ao parafrasear Sartre afirmou que “Toda imagem sempre implica a uma física”. Se tivesse uma câmera de vídeo em mãos, os copos certamente adquiriram vida, de bi para tridimensional, mesmo silenciosos, quase com congelados no tempo e espaço.
Se considerados apenas o contexto,era apenas três copos descartáveis sobre uma mesa de madeira, num ambiente fechado e com iluminação artificial. Porém, visto sob o enquadramento de um visor tornam-se elementos físicos capazes de serem captados e recriados fora de seu local de origem, adquirindo forma e representatividade dentro de um contexto então, ficcional.
Percebo que executo um ritual pré-fotográfico ao desenhá-los dentro de seu tempo espaço: três copos de boca para baixo para, dentro porém do enquadramento das lentes imaginárias de um visor. Quatro linhas e três elementos versus uma folha e muitos espaços em branco.
Penso que o ato de fotografar não compromete o desenhar, mas percebo que este permite complementações, exige técnicas para que os elementos não se tornem soltos nos espaços, enquanto que a fotografia possui um campo mais amplo de visão, valendo-se ainda , talvez, do que tenha sido meu mote inicial: a subjetividade do olhar.
Assinar:
Postagens (Atom)
Seguidores
Arquivo do blog
Quem sou eu
- Verônica
- Sou um ponto Elemento visual real tantas vezes pequeno em relação a um plano maior. Um ponto que penetra espaços vazios de sentimentos emoções. Sozinha Sou apenas um ponto mas que ao aglutinar-me viajo no universos das possibilidades fusão do verbal com o visual na complexa sintaxe da vida.