sexta-feira, 15 de maio de 2009

Manhã de sábado


Há dias não escrevo. Escrevo, mas na verdade são textos puramente, técnicos. Carregados de racionalidade e reflexão. As vezes, sinto falta do subjetivismo, do romantismo, de qualquer figura de linguagem que desperte nas palavras, sons adormecidos. As vezes, entre um texto e outro, deixo escorregar um pouco de emoção. Basta-nos as areias que entram por nossos sapatos, embaçam nossos olhos, arranham nossas palavras...Mas nem sempre há emoções suficientes para recarregar a bateria de meu coração...


E como anda descompassado este mecanismo. Será porque confio muito nas pessoas ? Vai saber...na verdade são tantos os motivos que nos afastam de nós mesmos, de nosssas possibilidades e não adianta jogar a culpa em terceiros. Coração dos outros , sempre diz minha desconfiada mãe, é terra que ninguém anda...


Esta semana, mais uma vez, me decepcionei...e sofri. Nem tanto, se comparada as vezes anteriores, mas sofri. Não teve sequer lágrimas, dor, revolta, foi como se , mais uma vez, tirassem algo de mim. Não de minhas mãos, mas de dentro de meu coração. Assim como criança que traz consigo um cesto de doces e de repente, um a um fossem sendo levados...retirados...jogados ao vento.


Ainda bem que tenho meu trabalho diretamente ligado aos adolescentes, inúmeros adolescentes...estes são sempre cheios de esperança e sonhos. E tento não decepcioná-los, quando relatam suas trajetórias de vida. E, quase que dizendo a mim mesma, os faço acreditar que tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.


O que me faz lembrar de um cântico antigo que diz: fica sempre/ um pouco de perfume/nas mãos que oferecem rosas - dos que doam ou dos que recebem? Ambos? Esta é a esperança, creio, dos que acreditam na força do amor, da caridade, do gesto singelo, da expressão de amizade, do apenas existir, momentaneamente, na vida de alguém.


O que me faz refletir, ainda, nas vezes que deixei de falar o que deveria ter sido dito. Não na explosão da emoção, tantas vezes da irritação. Mas não falar que apesar de tudo, ainda creio e crerei em mudanças, em possibilidads de se viver uma vida menos egoísta. Deixar de lado as diferenças e falar não das pedras que embaçam a visão, mas da bússula que guia o coração: o amor. Não o amor entre um homem e uma mulher, mas o amor universal, capaz de doar a vida, lembrar-se do outro, crer, perdoar.


E fico muito triste...triste demais, por saber que mais uma vez, me deixei entristecer com coisas tão pequenas; por não ter coragem de dizer que o perdão sempre será dado, que nada, poderá aumentar a distancia entre duas pessoas, que seguem o mesmo caminho nesta vida cheia de encruzilhadas.


E temo, que amanhã possa ser tarde demais, e que eu, ou tão pouco ela, possamos nos sentar à beira do rio e jogar aos peixes fragmentos de vida...realizar uma reflexão,percebendo ser a vida feita de gestos singelos e que cada palavra, expressão, são como flechas depositadas diretamente ao coração.


Esta semana, não foi mais ou menos dificil do que as outras. Mais uma vez, vejo ser necessário rever atitudes e providenciar o resgate daquilo que se esvai por entre os dedos. As vezes é preciso desinterrar coragem para não enterrar tantaz vezes, palavras não ditas, por medo ou orgulho. Percebo que na vida, o que importa não é a quantidade de bagagem que acumulamos, mas as que jogamos fora no decorrer da caminhada.


Manhã de sábado...


A semana se foi. Dias de renovação. Que venham os pássaros alegrar meu coração. Que minha alma exale um cântico de esperança. Que meu desejo de paz, amor e alegria se completem no seu melhor estado de alma.



terça-feira, 5 de maio de 2009

olhos de hortelã

Tenho um aluno, com seus 11 anos, que todos os dias, quase na hora do recreio, encaminha-se até a sala em que eu estiver dando aulas , me dá bom dia, um abraço, oferece uma bala de hortelã e, as vezes, quando estou a dar vistos nos cadernos, afaga-me os cabelos, prende os fios soltos atrás das orelhas, pergunta -me se preciso que compre algo na cantina e, quando atolada de pastas, cadernos, acompanha-me até a sala dos professores.

No começo , nem olhava para o guri. Depois os próprios colegas perceberam e daí para cá passei a observar melhor. Preocupei-me , a início, nem preciso citar os "porquês", mas depois, um dia, em sua sala de aula, falando sobre a importância da família com eles, soube ser o menino cuidado pela avó, embora de mãe viva. Segundo ele, ela nunca lhe dera nada, além da vida e que, segundo ele, nada seria, se não fosse pelos cuidados incansáveis da avó.

A sala ficou muito silenciosa, a esperar que eu me pronunciasse, claro. Como viram que eu nada declarei, logo inciou-se uma lista de opiniões. Ele ouviu algumas; comentou outras, e por fim deu o sinal e preferi me omitir. Não por nada ter a declarar, mas para não deixar aparecer a faca que tinha entalada na garganta.

E todos os dias lá estava ele a me cumprimentar, perguntar se precisava de algo, e acompanha-me , quando preciso, até a sala dos profesores. Preferi não comentar nada, proibe a sala, inclusive, de tocar no assunto novamente, embora sabendo , imaginando como seja difícil para ele digerir a ausência da mãe.

Tarde desta, fiquei sabendo que ele agrediu violentamente um colega. Socos, ponta-pés, recebeu advertência e chorou muito, pronunciou-se arrependido, segundo coordenadores e colegas. Não o vimos mais.

Manhã desta, ao encaminhar-me para a escola, ouvi alguém a chamar: "fessora, fessora...Percebi ser o guri do quinto ano. Recebi-lhe com mesma afeição de sempre; Perguntei-lhe que uniforme era aquele o qual vestia. Disse-me ter mudado de escola e que lá, era até melhor do que a anterior... Sorri. Percebi que estava realmente feliz. Cumprimentei a avó. Dei-lhe um abraço apertado. Ela ajeitou a mochila dele. Desejei sorte, a ambos. Ele me deu a tradicional bala de hortelã e, ao sair , quase ao atravessar a faixa, perguntou: " fessora: posso te chamar de mãe, quando te ver?"





domingo, 3 de maio de 2009

Beija-flor e esperança


Quem nunca recebeu a visita de uma esperança. Aquele inseto verdinho que entra pela janela, voa pela casa, escolhe um bom lugar e deixa-se ficar, até que uma boa alma a liberte?


Quem nunca recebeu a inesperada e rápida visita de um beija-flor, com suas alertas asas e canto. quase que um aviso?


Ambos , segundo os antigos, são indicações de boas novas. realizações. Há , inclusive os que dizem que soltar uma esperança é trazer para si meus presságios. Não agradecer a visita do beija-flor, alegrar-se, é deixar de receber uma benção.Tradições, e que nos fazem tão bem, quando se tem terra a cultivar, semente a florescer. Na verdade, qualquer boa-nova é bem vinda, para não se deixar de colher os frutos do coração, da vida


Mas tempos há em que nem esperanças ou beija-flores nos visitam, que terras cultivadas são assoladas pela seca ou enchente, que sementes não rompem a terra, que frutos caem antes do tempo... e como é difícil enfrentar estes momentos. Parece que a alma sai de nós e fica somente o vazio. Lágrimas são gotas de orvalho em pleno dia, a fisionomia se entristece, o coração bate tão devagar, todos os sentidos saem em busca de algo para nos confortar. Nestes momentos de superação interior, é preciso muito mais que a presença dos amigos, que palavras de conforto.


Sofremos, questionamos e , as vezes, pouco lutamos para reconquistar o que tanto desejamos. As vezes nos conformamos muito rapidamente, mas a alma, esta , livre que é, não se deixa ajeitar em berço de contentamento, e nos cobra, incomada-se, por não poder voar, conquistar o espaço a ela reservado. Ainda bem, porque nestes momentos nasce em nosso coração um sentimento também denominado esperança, e saem de nós inúmeros beija-flores... voam pelo universo das impossibilidades, penetram nossos escombros, renova-se em nós o equilíbrio.


Na vida, alguns sonhos serão abandonados pelo caminho; uns porque são pesados demais, outros, para que alguns não venham a sofrer, alguns, porque não somos capazes de pagar o preço da conquista. Acredito que o pior deles seja o de abrir mão em troca da felicidade do outro, porque não depende de nós, de nossas escolhas ou incapacidade, mas uma forma de abdicar de si, e não seremos os únicos, o primeiro, nem o último...mas nem por isso deixaremos de viver, de crer, de pedir ao Ser Maior que olhe por nós.


Esperanças...


Beija-flores...


Que mais preciso nesta manhã de que


esperanças e beija-flores....


Por isso, profetizo na minha e tua vida: que inúmeros beija-flores nos visitem hoje e no decorrer da semana. Que ao entardecer, assim que os pássaros voltarem aos seus ninhos, esperanças invadam os cômodos de nossa casa. Que nosso ser seja invadido por ondas de alegria e que o cântico que sair de nossa boca alcance o universo, chegue àquele que desanimado estiver, rompa a barreira da distância e chegue até você, a mim...


Que Sejamos para quem nos ama, para os que conosco convivem, hoje e no decorrer desta semana Esperança e Beija-flor...



sábado, 2 de maio de 2009

Espelhos D'Água


http://www.youtube.com/watch?v=1Z60xrdNl_E



Os seus olhos são espelhos d'água

Brilhando você, pra qualquer um

Por onde esse amor andava

Que não quis você de jeito algum

Que vontade de ter você

Que vontade de perguntar

Se ainda é cedo

Que vontade de merecer

Um cantinho do teu olhar

Mas tenho medo

Os seus olhos são espelhos d`água

Brilhando você, pra qualquer um

Por onde esse amor andava

Que não quis você de jeito algum

Que vontade de ter você

Que vontade de perguntar

Se ainda é cedo

Que vontade de merecer

Um cantinho do teu olhar

Mas tenho medo

Que vontade de ter você

Que vontade de perguntar

Se ainda é cedo

Que vontade de merecer

Um cantinho do teu olhar

Mas tenho medo

Que ainda é cedo

Mas tenho medo

o amor: fundo musical da vida...


Si lo tienes [amor]no necesitas nada más.Si no lo tienes [amor]nada importa todo lo que tengas de lo demás.
(J.M. Barrie)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Obras de Arte

Arte de ver
viver
sentir
a vida pulsar
fora e dentro de si.
Obras de arte
não são cópias, fotografias, xerox
do dia-a-dia
são almas
que brincam no exterior
do ser...

Arte de viver


viver é uma arte.
É cobrir a tela que surge a cada manhã
de sonhos
alegria
esperança.
Viver é a arte
Em que tantas vezes
as lágrimas
o suor
e sangue
são elementos que
se dissolvem, colorem
dão significância a existência...

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Quem sou eu

Minha foto
Sou um ponto Elemento visual real tantas vezes pequeno em relação a um plano maior. Um ponto que penetra espaços vazios de sentimentos emoções. Sozinha Sou apenas um ponto mas que ao aglutinar-me viajo no universos das possibilidades fusão do verbal com o visual na complexa sintaxe da vida.